Meu black é power: retirada das tranças

Quase um ano de tranças e apesar de amá-las, já estou querendo tirar e cuidar do meu cabelo natural. Mas um dos maiores problemas é que na Índia não existe produtos para cabelo crespo!!! Já estou uns meses pesquisando e tentando encontrar uma maneira de não virar escrava das box braids por mais seis meses. Foi então que tive a brilhante ideia de pedir para alguém que viria do Brasil trazer um kit pra mim. Procurei na amazon Kit da TodeCacho e achei um com vários produtos por R$ 106. Foi perfeito! A Marilia estava voltando do Brasil depois do ano novo e pedi para entregar o kit na casa dela, e assim que ela chegou aqui fui correndo buscar para começar o tratamento do meu crespo que já devia estar enorme!

Comecei a tirar as tranças numa sexta a noite, demorei quase uma hora pra tirar tudo, inclusive minha roommie teve que me ajudar.

Continue Reading

Pedi demissão do meu estágio na Índia!

pedi-demissao-do-meu-estagio-na-India

Hoje completa exatamente 2 meses que cheguei por aqui. Parece que foi ontem que desembarquei em Delhi totalmente perdida diante de um choque cultural absurdo. Incrível como o tempo passa rápido sem ao menos percebemos não é? Como meu tempo esta bem dificil de administrar, resolvi fazer esse post pra resumir os últimos acontecimentos da minha vida aqui. Vamos começar pelo fato mais recente: PEDI DEMISSÃO DO MEU ESTÁGIO NA ÍNDIA. O que???? Djulie, como assim?!  Sim! Estava trabalhando como designer gráfico em uma escola de fotografia em Old Delhi. Pra vocês terem uma noção, essa é uma das piores zonas aqui. Sujeira e pobreza definem. No início estava muito empolgada por ser uma escola de fotografia e até querendo me inteirar e participar dos cursos. Mas o encanto acabou um mês depois, a partir momento que comecei a me sentir desmotivada e estressada ao acordar todos os dias para ir trabalhar. Vamos a lista de fatores para tal:

  1. A jornada de trabalho começava as 10h da manhã e terminava às 19h da noite. Nove longas horas de quase nada pra fazer.
  2. O intervalo para o almoço era de 30 minutos, o que me impossibilitava comer fora.
  3. Apesar de não ter deixado isso claro na minha vaga no portal da AIESEC, fui informada que trabalharia sábados e domingos, tendo day-off apenas nas segundas-feiras. Isso já me deixou indignada pois quase nunca poderia viajar.
  4. Tinha a impressão de que todas minhas colegas indianas falavam mal de mim e riam do meu estilo toda hora.
  5. Meu chefe indiano não sabia explicar exatamente o que queria nas artes. Me fez criar 30 modelos de crachás até gostar de um (isso pra um designer é o cúmulo da irritação). Tudo recebia críticas (sem cabimento algum) e acabava criando materiais que de jeito algum colocarei no meu portfólio.
  6. A sócia da empresa mal olhava na minha cara e se quer conseguia me passar trabalho, pedia para os outros fazerem. Foi quando ela solicitou a minha troca de lugar na sala e sem querer descobri que foi para ver o que eu estava fazendo pela câmera.
  7. Fiquei doente por praticamente uma semana. Febre, dor no corpo por conta da famosa Delhi Belly. Não fui trabalhar alguns dias e no dia que fui fiquei apenas um turno passando muito mal, a sócia teve a pachorra de me dizer que deveria ligar para o meu chefe e pedir permissão para ir embora.
  8. A gota d’água foi trocarem a senha do Wi-fi com o discurso de que eu, a designer, não precisava de internet para trabalhar. Sem contar outras regras como não mexer no celular, não ter direito a feriados que são religiosos para os indianos e não poder ficar na recepção trabalhando com a outra estagiária da Rússia, que no caso era minha roommate.
  9. Foi então que percebi, todos os problemas e implicância aconteciam apenas comigo. Finalmente entendi o que estava acontecendo: fui vítima de racismo na empresa que estava estagiando na India.
Na segunda semana de trabalho, quando eu ainda estava feliz trabalhando na escola
Na segunda semana de trabalho, quando eu ainda estava feliz trabalhando na escola

Realmente aquele não era o trabalho que eu criei tanta expectativa na minha vinda para cá. Chorei vários dias,inclusive em pleno ambiente de trabalho.  Pensei em desistir, voltar pro Brasil e esquecer o sonho do intercâmbio. Estava desmotivada, infeliz e arrependida da escolha que fiz. O investimento para vir foi de 10 mil reais, eu não podia desistir assim e correr para casa. Mas meu santo é forte e minha sorte está sempre a meu favor. Menos de uma semana consegui outro estágio. Como? Espera pra ver…

Pesquisando no facebook algum grupo de brasileiros em Delhi, acabei conhecendo a Luana que organiza festas com o tema Brasil por aqui. Nossa, fiquei muito empolgada, até o momento só tinha conhecido duas brasileiras e elas estavam fazendo o intercambio social, ou seja, iam embora em algumas semanas. Ela me adicionou no grupo que eles tinham no what’s app e na mesma semana que estava chorando na empresa, uma das gurias do grupo falou que estavam produrando por designer gráfico para estágio Aiesec. Foi aí que minha vida mudou. Minha anja Luciana (e hoje minha chefa) conversou comigo e conseguiu (depois de muitos emails, telefonemas e barracos com a AIESEC) que eu trocasse de trabalho!

Meu novo estágio é na cidade de Gurgaon, 30 minutos de Delhi. A empresa paga por acomodação que fica 5 minutos (a pé) do escritório. Entreguei minha carta de demissão no outro trabalho sem olhar pra trás. A única coisa que me deixou triste de me mudar foi deixar minha roommate russa, e até então única amiga, Tânia sozinha na escola. Arrumei minhas malas, chamei o Uber e ontem me mudei pra Gurgaon. Estou encantada com essa cidade!! Ela é considerada o vale do silício da Índia, todas as maiores empresas internacionais tem escritório aqui. Ao chegar em Cybercity pensei não estar mais na bagunça que é a Índia. Prédios modernos, arranhacéus, condomínios lindos, totalmente diferente da onde vivia em Old Delhi. O condomínio que moro tem piscina, academia, salão de festas, play ground e até um mercadinho! O ap tem 4 quartos e vou dividir ele com mais duas gurias, mas a melhor parte é que no meu quarto tenho meu próprio banheiro (antes eu dividia a mesma cama com a russa e o banheiro era dividido por mais 4 indianas). QUE REVIRAVOLTA NÃO É MESMO???

 

Projeto DLF Cyber City - a Cingapura indiana
Projeto DLF Cyber City – a Cingapura indiana

 

Fontes & Imagens:

 DLF Cyber City

assinatura-djulie ferreira negratittude

Continue Reading

Me dispo do seu preconceito

medispo

Há uma semana atrás a Janine, que já foi minha colega em fotografia na UniRitter, me convidou pra participar  como modelo de um projeto muuuito legal para uma cadeira da faculdade dela. O projeto ME DISPO questiona o preconceito e aborda a aceitação das diferenças.  A proposta era a de pensar em um projeto de cunho social, o grupo da Jana e do Lennon tiveram a ideia de criar uma exposição fotográfica que incentivasse as pessoas a despirem-se de preconceitos, esquecendo os eufemismos e expressões que minimizam a real identidade das pessoas.

me dispo2

Diariamente sou chamada de morena pelas pessoas. Mulheres, homens, jovens, velhos e principalmente aqueles que adoram dar uma cantada medíocre na rua. Dá pra perceber que alguns me chamam desta forma a fim de serem educados ou polidos. O problema é que se não ensinarmos a maneira correta pra todos, vão continuar sempre dizendo “conhece a Djulie? Aquela morena, coisa e tal”. Diversas vezes já comecei uma discussão, argumentando e comparando o meu tom de pele e minha raça com as pessoas que me classificam como morena. E não é só morena não. É mulata, parda, cor de jambo, café com leite, chocolate e outros tantos nomes que de tanto serem repetidos criaram raízes em nossa sociedade. Entendam: não existe racismo ao chamar a pessoa de negra! Esse preconceito está dentro de vocês, e não de mim. Exatamente por esse motivo, que Me dispo do seu “morena”.

13433303_1181124935241231_5228411953958263632_o

Muitas pessoas vieram me parabenizar e outras simplesmente dizer NOSSA COMO TU É CORAJOSA. Pleno ano de 2016 e fazer fotos pra um projeto incrível como esse ainda é tabu pra muitos. Minha própria mãe de inicio não curtiu muito a ideia, mas depois apoio e ate compartilhou no facebook, hahaha. O projeto esta bombando na rede! Meu corpinho nu está bem grande e exposto no saguão da faculdade a qual me formei e minha bundinha apenas na Zero Hora ok? A-C-E-I-T-A!

Algumas fotos e o making-off estão disponíveis na página do projeto no Facebook (facebook.com/medispo).  E Até o dia 1° de julho, a exposição estará aberta para visitação do público, no saguão do prédio A do campus Zona Sul da UniRitter.

Continue Reading