O melhor do Brasil é o brasileiro

brasileiros na india

Apesar do título, essa postagem é sobre família. Não propriamente mãe, pai, irmãos e o baile todo, mas sim sobre aquela família de amigos que ganhamos ao morar fora. Meus primeiros dois meses aqui foram terríveis, mas a partir do momento que conheci brasileiros morando em Delhi minha vida mudou. A verdade é que o melhor do Brasil é o brasileiro não é mesmo? Nossa energia e capacidade de entrosamento é absurda! Acabei ganhando uma família de brasileiros por aqui e hoje me sinto em casa.

Por um mês morando em no Joey’s Hostel eu tive a oportunidade de conhecer gente de vários lugares do mundo. Dividi o quarto com gurias do Egito, Marrocos, Itália, Alemanha e China. Todas MUITO queridas mas o fato de o inglês não estar 100% no início, me fez ficar receosa de me enturmar com elas. Sem contar que eu era a única que trabalhava todos os dias da semana, então enquanto todas faziam trips maravilhosas, eu tinha que ficar em Delhi trabalhando feito escrava sábados e domingos.

Pessoal que fiz amizade no Joey's
Pessoal que fiz amizade no Joey’s

Quando me mudei para uma PG para morar junto da minha colega russa, criamos uma afinidade incrível! Foi ótimo ter alguém pra contar e conviver diáriamente. Dividiamos o quarto, dormiamos na mesma cama e cozinhávamos juntas. Mas assim que comecei a me desmotivar com o trabalho só queria encontrar uma maneira de ir embora de lá. A verdade é que antes de vir para cá, cheguei a entrar contato com a Amanda e o Felipe que são lá do sul também. Viemos na mesma época mas a diferença era que eles iriam trabalhar juntos em Noida(cidade a 24km de Delhi) e eu sozinha no fim do mundo. Chegamos a marcar um chimas no India Gate no dia da Independência da Índia pra nos conhecermos e turistar um pouco. Foi ótimo! Mas o fato de eles morarem longe realmente não havia como nos vermos com frequência…

Tânia, minha roommie russa // Felipe dando uma olhada no meu chimas (Amanda tirou a foto)
Tânia, minha roommie russa // Felipe dando uma olhada no meu chimas (Amanda tirou a foto)

Foi quando tive a brilhante ideia de procurar um grupo de brasileiros na Índia para tirar algumas dúvidas e também conhecer gente nova por aqui. O primeiro grupo que achei de cara já descobri que havia uma festa chamada Brasil Mestiço  que tinha acontecido na semana anterior. P-I-R-E-I!!!! Nunca imaginei tantos brasileiros na Índia juntos fazendo festa com axé, pagode, mpb e funk na playlist! Chamei a Luana, idealizadora do evento, no chat do facebook e na hora ela já me adicionou no grupo do What’s App onde tem mais de 70 participantes brasileiros. Que alegria!

Antes de vir pro intercâmbio todos falam para fugirmos de brasileiros para poder aproveitar o máximo para conhecer outras culturas e desenvolver melhor o inglês. Cara, o problema é que esse conselho na Índia não dá certo. Isso daqui é o extremo que vivemos no Brasil. Ter o apoio, suporte e amizade com brasileiros foi a melhor coisa que me aconteceu. Hoje eu me sinto em casa mesmo estando há dois oceanos de distância. Fazemos churrasco, coxinha, festa com batucada e caipirinha! Sem contar que toda quarta-feira vamos no “culto” (Moonshine) dançar funk em cima do palco, onde ganhamos free drinks e snack a noite toda na faixa. O grupo no Whats além de me manter rindo o dia inteiro, também ajuda com dicas de lugares para viajar por aqui, o que comprar, o que não comer e o que fazer por Delhi. Se hoje estou feliz por aqui é graças aos brasileiros!

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Pedi demissão do meu estágio na Índia!

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Hoje completa exatamente 2 meses que cheguei por aqui. Parece que foi ontem que desembarquei em Delhi totalmente perdida diante de um choque cultural absurdo. Incrível como o tempo passa rápido sem ao menos percebemos não é? Como meu tempo esta bem dificil de administrar, resolvi fazer esse post pra resumir os últimos acontecimentos da minha vida aqui. Vamos começar pelo fato mais recente: PEDI DEMISSÃO DO MEU ESTÁGIO NA ÍNDIA. O que???? Djulie, como assim?!  Sim! Estava trabalhando como designer gráfico em uma escola de fotografia em Old Delhi. Pra vocês terem uma noção, essa é uma das piores zonas aqui. Sujeira e pobreza definem. No início estava muito empolgada por ser uma escola de fotografia e até querendo me inteirar e participar dos cursos. Mas o encanto acabou um mês depois, a partir momento que comecei a me sentir desmotivada e estressada ao acordar todos os dias para ir trabalhar. Vamos a lista de fatores para tal:

  1. A jornada de trabalho começava as 10h da manhã e terminava às 19h da noite. Nove longas horas de quase nada pra fazer.
  2. O intervalo para o almoço era de 30 minutos, o que me impossibilitava comer fora.
  3. Apesar de não ter deixado isso claro na minha vaga no portal da AIESEC, fui informada que trabalharia sábados e domingos, tendo day-off apenas nas segundas-feiras. Isso já me deixou indignada pois quase nunca poderia viajar.
  4. Tinha a impressão de que todas minhas colegas indianas falavam mal de mim e riam do meu estilo toda hora.
  5. Meu chefe indiano não sabia explicar exatamente o que queria nas artes. Me fez criar 30 modelos de crachás até gostar de um (isso pra um designer é o cúmulo da irritação). Tudo recebia críticas (sem cabimento algum) e acabava criando materiais que de jeito algum colocarei no meu portfólio.
  6. A sócia da empresa mal olhava na minha cara e se quer conseguia me passar trabalho, pedia para os outros fazerem. Foi quando ela solicitou a minha troca de lugar na sala e sem querer descobri que foi para ver o que eu estava fazendo pela câmera.
  7. Fiquei doente por praticamente uma semana. Febre, dor no corpo por conta da famosa Delhi Belly. Não fui trabalhar alguns dias e no dia que fui fiquei apenas um turno passando muito mal, a sócia teve a pachorra de me dizer que deveria ligar para o meu chefe e pedir permissão para ir embora.
  8. A gota d’água foi trocarem a senha do Wi-fi com o discurso de que eu, a designer, não precisava de internet para trabalhar. Sem contar outras regras como não mexer no celular, não ter direito a feriados que são religiosos para os indianos e não poder ficar na recepção trabalhando com a outra estagiária da Rússia, que no caso era minha roommate.
  9. Foi então que percebi, todos os problemas e implicância aconteciam apenas comigo. Finalmente entendi o que estava acontecendo: fui vítima de racismo na empresa que estava estagiando na India.
Na segunda semana de trabalho, quando eu ainda estava feliz trabalhando na escola
Na segunda semana de trabalho, quando eu ainda estava feliz trabalhando na escola

Realmente aquele não era o trabalho que eu criei tanta expectativa na minha vinda para cá. Chorei vários dias,inclusive em pleno ambiente de trabalho.  Pensei em desistir, voltar pro Brasil e esquecer o sonho do intercâmbio. Estava desmotivada, infeliz e arrependida da escolha que fiz. O investimento para vir foi de 10 mil reais, eu não podia desistir assim e correr para casa. Mas meu santo é forte e minha sorte está sempre a meu favor. Menos de uma semana consegui outro estágio. Como? Espera pra ver…

Pesquisando no facebook algum grupo de brasileiros em Delhi, acabei conhecendo a Luana que organiza festas com o tema Brasil por aqui. Nossa, fiquei muito empolgada, até o momento só tinha conhecido duas brasileiras e elas estavam fazendo o intercambio social, ou seja, iam embora em algumas semanas. Ela me adicionou no grupo que eles tinham no what’s app e na mesma semana que estava chorando na empresa, uma das gurias do grupo falou que estavam produrando por designer gráfico para estágio Aiesec. Foi aí que minha vida mudou. Minha anja Luciana (e hoje minha chefa) conversou comigo e conseguiu (depois de muitos emails, telefonemas e barracos com a AIESEC) que eu trocasse de trabalho!

Meu novo estágio é na cidade de Gurgaon, 30 minutos de Delhi. A empresa paga por acomodação que fica 5 minutos (a pé) do escritório. Entreguei minha carta de demissão no outro trabalho sem olhar pra trás. A única coisa que me deixou triste de me mudar foi deixar minha roommate russa, e até então única amiga, Tânia sozinha na escola. Arrumei minhas malas, chamei o Uber e ontem me mudei pra Gurgaon. Estou encantada com essa cidade!! Ela é considerada o vale do silício da Índia, todas as maiores empresas internacionais tem escritório aqui. Ao chegar em Cybercity pensei não estar mais na bagunça que é a Índia. Prédios modernos, arranhacéus, condomínios lindos, totalmente diferente da onde vivia em Old Delhi. O condomínio que moro tem piscina, academia, salão de festas, play ground e até um mercadinho! O ap tem 4 quartos e vou dividir ele com mais duas gurias, mas a melhor parte é que no meu quarto tenho meu próprio banheiro (antes eu dividia a mesma cama com a russa e o banheiro era dividido por mais 4 indianas). QUE REVIRAVOLTA NÃO É MESMO???

 

Projeto DLF Cyber City - a Cingapura indiana
Projeto DLF Cyber City – a Cingapura indiana

 

Fontes & Imagens:

 DLF Cyber City

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Sobre ser negra na Índia

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Primeiramente: a India não é fácil. Eu cheguei aqui vai fazer quase dois meses e todo dia tenho algo novo a enfrentar. Já deve ter ouvido falar como este país é machista e não vou te mentir, é sim. Ser mulher já não é fácil, ser negra na India é pior ainda. A verdade é que ser mulher estrangeira aqui pra eles é uma “oportunidade” de ter algo mais fácil e sem compromisso. Para muitos a cultura dos dotes, castas e casamento arranjado existe sim, em cidades menores principalmente. Mas Delhi é uma metrópole. A primeira coisa que tu vai perceber ao chegar em aqui é que a cidade é gigante e desenvolvida. E como em qualquer metrópole  é lotada de pessoas sem paciência e com pressa. Não sei de que cidade tu és, mas imagina uma São Paulo mais suja e com mais gente em todos os cantos. O choque cultural é real, vai ver desde o luxo repleto de ouro dos templos, até a miséria e pobreza dos que dormem e vivem na rua.

 

Nos teus primeiros dias vai perceber o quanto te olham. De início pensei que aos poucos iam parar, mas não, é SEMPRE! Mas sabe o que é mais louco? Eu sentir que sofro mais preconceito por ser negra aqui do que no Brasil. Primeiramente pensei que recebia olhares diariamente de homens, mulheres e crianças mais por causa do meu cabelo e meus traços, do que minha cor. Muitos são curiosos, me olham fixamente querendo entender meu cabelo, mas tem aqueles tarados como de costume,  outros olhares vem junto de cochichos no ouvido e risadinhas contidas. E tem aqueles que me param, perguntam da onde sou, elogiam meu cabelo e pedem pra tirar selfie. Louco né, mas acontece com frequência. De fato é muito desconfortável e pra mim irritante. Mas a paciência é a principal virtude que irás praticar por aqui.

 

djulie na india

 

 O engraçado é que tem indianos mais escuros que eu e se for parar pra comprar o tom de pele eles poderiam muito bem ser negros, mas esse cabelo preto liso escorrido não tem como negar da onde são. Nos primeiros dias me senti mal, porque os olhares deles julgam muito e em massa dentro de um vagão no trem é como se recebesse um soco no estômago. Parece que por ser diferente e não seguir o padrão deles estou errada, não sou bem-vinda, me entende? Mas foi aí que conheci vários africanos que moram aqui há anos e por causa deles entendi melhor o que acontece. Existe muito racismo aqui com negros, mas a mídia abafa tudo, assim como as histórias de estupro em cidades menores. Um dos africanos que é modelo me contou que muitos indianos  não gostam de negros acham negros são traficantes e as negras todas são prostitutas. Daí eu parei pra pensar que talvez os olhares possam ter uma influência desse pensamento ABSURDO. Realmente não é fácil viver aqui, mas tudo tu se acostuma.

 

Mas nos últimos meses eu liguei o foda-se pra opinião dos outros, pras críticas e pro “padrão” que sempre nos obrigaram seguir. Desculpa monamour, não é a Índia que vai mudar isso em mim. Hoje quase dois meses vivendo aqui desfilo, me acho polêmica e dou até tchauzinho pras crianças. Aos poucos eu estou aprendendo a amar os desafios que este país tem me proporcionado. Mas calma lá que tem mais 345 dias de “Incredible India” pra negrinha vivenciar! Sobre ser negra na India: não é fácil como em qualquer lugar do mundo.

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15 fatos sobre a Índia que você gostaria de saber

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Hoje completa um mês que estou morando na India. Rápido né? Louco eu diria.  Mas então vamos lá aos 15 fatos sobre morar na Índia que você gostaria saber por mim:

1. O custo de vida aqui realmente é muito barato. Se tudo que for comprar e converter em reais vai perceber que um funcionário público que recebe uns R$ 6.000,00 por mês aqui é rico! Como sou uma “estagiária” recebo um valor mínimo que eles consideram justo para um estrangeiro viver por aqui. Dependendo da cidade que tu está as 25 mil rúpias são poucas, mas por enquanto estou conseguindo levar. O valor de 1 rúpia indiana vale mais ou menos 5 centavos no Brasil, ou seja 1 real aqui é 20 rúpias, preço que pago por uma garrafa d’água de 1 litro por exemplo.
2. Os indianos são porcos. Jogam lixo no chão sem culpa. Não se importam com o mau cheiro das ruas, inclusive o deles mesmo. Desodorante aqui passa longe! Ah eles não usam papel higiênico mesmo, mas isso é um costume oriental, a maioria dos banheiros tem um chveirinho ou uma torneira do lado do vaso sanitário. E se tu pensa que banho é algo essencial todo dia pode desconsiderar essa hipótese. Higiene definitivamente não é o forte deles. Sabe aquele faxinão de domingo que nossa mãe faz quando tá inspirada? Passa longe! Mal tem vassoura por aqui, eles tem o costume de usar uma vassourinha e se agachar para varrer.

india
3. Eles também são péssimos motoristas. Pisca alerta acho que nem sabem que existe, o espelho retrovisor já vi MUITOS que andam com os laterais fechados. A regra é clara: se tu não buzina, não dirige! As motos são a grande maioria é nelas cabem sim 2, 3 e até 4 pessoas. Já vi família, papagaio e passarinho andando , não me pergunte como! Acabei percebendo que a maioria dos carros são batidos na traseira por conta do trânsito caótico que existe aqui. Por esse motivo o silêncio é bem difícil. Se acostume com a buzina, com os gritos, com o falatório interminável e extremamente rápido que eles têm.

intrometidos
4. Não existe povo mais curioso, mal educado e intrometido. Te olham como se fossem te comer, e julgam com os olhos todos aqueles que não são semelhantes. Eles perguntam tudo sobre tua vida inclusive quanto tu recebe, o que trouxe pra comer, porque chegou atrasada, porque come carne, porque usa o cabelo assim, como tu lava o cabelo, porque isso, porque aquilo. Definitivamente não são o tipo de povo acolhedor para estrangeiros.
5. A tecnologia reina. Todo mundo tem smartphone com grandes telas. Inclusive no metro uma grande parte assiste filme, novela e videoclipe super conectados com seus fones no ouvido. Ah e pra quem pensa que as pessoas não têm modelos recentes, sinto muito querido, iPhone 6 é mato! Apesar da pobreza em maior parte,  já vi muito carrão importado, camionete 4×4 e até limusine.
6. A língua deles é engraçada. Na verdade como a maior parte do tempo não estou entendendo nada , nunca sei se estão falando normal, brigando ou brincando. Porque a entonação de todos os diálogos parece a mesma. Eu já disse que gritam né? E como gritam!!! O hindu é considerada a língua oficial, o inglês como segunda, mas por todo o  país a Constituição da Índia reconhece 22 línguas oficiais. Como muitos já sabem o inglês dele é dificílimo. Tem um sotaque absurdo e no inicio tu chega aqui sem entender nada. Além dos erros ortográficos, gramaticais e palavras repetidas excessivamente como ONLY, ITSELF, HAD LUNCH, OTHERWISE… (piada interna com os brazucas morando na índia)

homens de maos dadas india

Homens de mãos dadas por aqui é super comum
7. O país do kamasutra é cheio de tabus. Ainda existem sim casamentos arranjados e pelo que ouvi falar a história das castas foi meio abafada mas no fundo reina nas cidades mais pequenas. Marido e mulher mal se encostam caminhando na rua mas os homens se abraçam muito e chegam a andar de mãos dadas. Falar de sexo imagina, é falta de respeito. Homossexuais existem e MUITOS, mas o preconceito impera, logo não se manifestam muito perante a sociedade, mas nas festas o pessoal se revela mesmo. Beijar em público, nossa, nunca. É até estranho tu ir em algumas baladas aqui e não ver ninguém se agarrando num canto.

Templo com muito ouro
Templo com muito ouro

8. Por um lado o país é rico, riquíssimo. Nos detalhes de cada monumento, nos templos sagrados, na arquitetura antiga, e na devoção pela religião. É tudo de uma pureza e uma reverência inigualável. Acho muito bonito essa fé que eles têm nos deuses e na doutrina que a religião obriga eles a seguir. A vaca, os macacos, elefantes e os ratos são animais sagrados pois conviviam com os deuses. Por isso andam livres e feri-los é um crime! Quem dirá comer.

Vacas vivem livremente pela cidade
Vacas vivem livremente pela cidade

9. Por outro lado nunca vi uma pobreza tão miserável como essa. Muita gente mora na rua, dorme no meio do lixo, dos bichos e dos ratos. As crianças andam sujas, peladas e sempre estão te pedindo moedas. E fazem aquele olhar de gatinho do Shrek que te corta o coração! Os dalits existem sim e andam de cabeça baixa mal te olhando nos olhos. A mão de obra deles é muito barata e por esse motivo trabalham demais!
10. Eles têm um quê de muambeiro também viu? Nova delhi é um camelo ambulante. Toda esquina tem um vendedor de rua. Seja roupa, comida, bebida, acessórios, eletrônicos, tudo que você quiser eles têm. E como trabalham!!! De domingo a domingo, o comércio não fecha. Não existe aquele dia que a maioria descansa e aproveita com a família. Carrefur, Walmart, Zaffari? Tá louco, super mercados grandes não existem aqui. Existe muito aquilo que chamamos de quitanda, vendinha ou boteco da esquina, onde todo tipo de produto pra comer tu encontra, menos fiambreria.

comercio na india
Comércio aberto até tarde

11. Esse povo aqui não tem noção de espaço. Já falei o quanto eles gostam de se aglomerar? Então pensa num país com 1,4 bilhões de habitantes, agora pensa nessas pessoas indo trabalhar de manhã cedo e pegando o metro, ônibus, carro, rickshaw e moto tudo junto. Pois então. São Paulo é fixinha pra isso aqui minha gente. Já fui esmagada, prensada e quase atropelada diversas vezes. Usar a calçada? Que calçada? Tu anda no meio dos carros, das motos, dos tuk-tuks, quando eles não andam no meio das pessoas claro. Atravessar a rua é sempre uma adrenalina!!

 

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12. E o que falar das roupas indianas? Sim!! Tudo muito colorido. Combinar cor aqui não é problema! A estampa verde combina com vermelho, amarelo, azul, roxo e todo a tabela Pantone. Os mais jovens se vestem da maneira comum ocidental, calça jeans, camiseta, saia, vestidos, nada curto e nada decotado pelo amor de Khrisna!! Tem mulheres que se vestem tipicamente sim, tem aquelas que cobrem o rosto, os cabelos e outras que até andam descalças. Os homens praticamente sempre estão de camisa social e calças, vários usam turbante e sinceramente eu acho muito estilo! Mas na balada tu vê de tudo, desde o short mais curto até o salto mais alto. Pra quem pensa que por aqui isso não existe, tem sim e de monte.
13. E enfim chegamos na comida. Ah a comida! A índia tem a culinária mais rica em temperos e sabores desse mundo. A maioria sim são vegetarianos então pensa que a comida usa e abusa das verduras, condimentos e legumes. De fato a pimenta, a massala e o curry imperam. Descobri que por mais que tu pergunte e peça a comida sem pimenta ela sempre vem apimentada! O estrangeiro que vem pra cá e não tem um piriri é praticamente vir e não ir ao Taj Mahal, sério. O hábito de comer com as mãos é cultural, oferecer um garfo pra eles chega a ser ofensivo e não oferecer a tua comida para todos na sala te faz mal educado. Ele compartilham tudo! Existe muita comida de rua, não parece muito higiênico mas eles comem que é uma beleza! Mas se tu pensa que as grandes empresas de fast food não estão aqui, ah elas estão sim. Mc Donalds, KFC, Domino’s, Burguer King, Subway, Starbucks, Dunkin’ Donuts e por aí vai…

14. Agora vamos falar sobre as festas. Simmmm, eles AMAM um motivo pra festejar, dançar e comer muito, os homens aqui não tem vergonha nenhuma em saber dançar todas as coreografias das mais famosas músicas indianas. Existe MUITA balada aqui, e nós estrangeiros temos o privilégio de não pagar para entrar e muitas vezes nem beber. As músicas vão do pop americano, ao kuduro africano e adoram música  latina também! Sair para dançar aqui é diversão garantida.

Flatmattes na Moonshine
Flatmattes na Moonshine

15. Muitos tem um certo pré conceito sobre a Índia e quando tu chega aqui tu vê a realidade de um mega país, que está crescendo cada dia que passa e desenvolvendo uma economia maior que a China! Realmente o povo se deixa levar pelos mitos, pela internet e pela história da carochinha que a fulana acha que sabe. Mas só vivendo a INCREDIBLE INDIA pra saber tudo que se passa aqui.

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Mãe, cheguei na Incredible India!

Óbvio que minha vinda pra cá tinha que ter alguma aventura no meio pra ter graça né, porque se não tem graça não sou eu como protagonista da história.

Estava bem bela no aeroporto Santos Dumont no Rio, quando falta 1h pro meu voo resolvi me mexer e entrar pra sala de embarque. O problema começou quando a moça disse que eu estava no portão errado e pra chegou no outro era quase 30 minutos caminhando. COMO ASSIM VIADO?!?!? Peguei o carrinho com minhas coisas e parecia estar numa competição de fórmula 1 porque corri tanto que se tivesse asma tava é morta! Assim que passei pelo visto ouvi um segurança perguntando se eu era a Djulie. Como assim ele sabe meu nome gente? Ele disse pra eu correr porque era a última chamada pro meu voo e que só faltava eu embarcar. Djulie soltando os bofes por mais 10 minutos naquele aeroporto que puta merda é grande mais. O cara meio que me xingou sutilmente durante todo o caminho enquanto eu caminhava correndo em direção ao embarque. Deixei cair o passaporte duas vezes e ele me olhou com uma cara que queria me fuzilar. Foi tenso.

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Mas depois de toda essa adrenalina entrei no avião e UAAAAUUUU, que chiqueza é essa aqui pessoal? Eu peguei um vôo pela Emirates e segundo o vendedor da CVC é uma das melhores companhias aéreas com o destino Ásia. Realmente, tão de parabéns!!! Conforto, ótimo atendimento, comida delícia e um vôo muito tranquilo. Super recomendo. Cheguei em Dubai quase meia noite e o vôo era apenas as 3h30 da manhã, então dei uma volta pelo enooorme aeroporto, comi um Burguer King, última carne prevista no momento, e aguardei o vôo na frente do portão (certo) pra não ter problemas de novo.

 

Depois de 18 horas de voo, junto das horas a mais do fuso horário eu cheguei em Delhi pela manhã. E QUE CALOR É ESSE MEU POVO? 34 graus as 9h30 da manhã!

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É hora de dizer tchau: bye Brazil!

despedida da djulie no aeroporto djulie india

O grande dia chegou com um temporal que me tirou o sono na madrugada. Acordei assustada e aquele medo bateu bem forte. Mas agora não pensa que sou dessas que desiste quando vem a tempestade, claro que não! Vamos terminar de guardar as coisas e seguir o rumo. Tomei um bom café da manhã, fiquei curtindo a Valentina e a Clawdeen na cama por mais um tempo e fui me arrumar! Afinal tinha que estar no aeroporto 3h antes do voo no mínimo pra dar tudo certo.

Pra chegar em Nova Deli vou ter que fazer duas escalas, uma no Rio de Janeiro e outra em Dubai (SIM <3). Meu voo de Porto Alegre saiu as 18h47 e no momento me encontro no Rio fazendo essa postagem. Fiquei MUITO, mas MUITO feliz que minha família foi se despedir de mim e minhas melhores amigas também. Mais um dia radiante na minha lista.

 

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Um aniversário de despedida

Meu penúltimo final de semana no Brasil foi assim, comemorando e me despedindo das pessoas mais especiais na minha vida. Resolvi fazer meu aniversário na Spettaria, um dos melhores churrasquinhos que já comi aqui em POA. Óbvio que ia escolher espetinho né gente, vou ficar um ano sem carne!! Acha que eu sou boba de certo hahahha
 djulie 24 anos balao com numero a gas
Dividi meu aniver em duas partes: PT 1 com amigos na Spettaria sábado à noite e PT 2 com família e amigos mais próximos no salão de festas lá de casa. Foi simplesmente perfeito! Todos foram pra me abraçar e me desejar só coisas boas nessa nova aventura que inventei. Fiquei realizada ao receber tanto carinho de pessoas incríveis que são meus amigos e família. 
Como é bom estar ao lado de quem tu mais ama não é? E ainda comemorando! Ri muito, comi MUITA CARNE, dancei e me diverti um pouco com cada um. Foi uma comemoração junto de despedida. Com gostinho de muita alegria, orgulho e uma ponta da futura saudade. Muitos falaram que estão felizes e tristes ao mesmo tempo, por estarem orgulhosos e também por sentirem minha falta. Não tenho dúvidas de que um ano passa muito rápido. Ainda nem fui mas sei que vou voltar repleta de histórias pra contar para todos. A verdade é que de alguma forma quero ser aquela que saiu da zona de conforto e foi viver sua vida da maneira mais simples possível. Várias pessoas já estão dizendo que eu sou o exemplo pros seus filhos, gente vocês não têm noção de como isso me deixa radiante!!!
Sou muito determinada para tudo que almejo. Enquanto não consigo não me aquieto e corro atrás até o fim. Depois que me formei, fiz a promessa de fazer intercâmbio até metade de 2016 e olha só tudo que está acontecendo agora! Nos últimos anos mudei tanto. Evolui, amadureci, elevei minha auto estima, aceitei meu corpo, minhas regras, entendi a importância minha raça, da minha identidade. E por fim perdi o medo de encarar desafios e aceitei a Índia de braços abertos.
Olha que lindo o bolo que minha mãe mandou fazer com o tema viagem
Olha que lindo o bolo de aniversário que minha mãe mandou fazer com o tema viagem!

Eu só queria agradecer demais a todos que mandaram um recadinho aqui no face, um Whats, um chat ou aqueles que fizeram uma forcinha pra passar o dia ou a noite comigo e me dar um abraço! Como típica canceriana já chorei lendo as cartinhas e alguns recados que recebi. Muito muito muito obrigada pelas palavras de incentivo e por sempre dizerem que sou exemplo, vocês não têm noção de como isso me deixa feliz! Não tenham dúvidas que isso é apenas o começo, vem aí muitos mais anos de vida para vocês se orgulharem de mim!

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