O melhor do Brasil é o brasileiro

brasileiros na india

Apesar do título, essa postagem é sobre família. Não propriamente mãe, pai, irmãos e o baile todo, mas sim sobre aquela família de amigos que ganhamos ao morar fora. Meus primeiros dois meses aqui foram terríveis, mas a partir do momento que conheci brasileiros morando em Delhi minha vida mudou. A verdade é que o melhor do Brasil é o brasileiro não é mesmo? Nossa energia e capacidade de entrosamento é absurda! Acabei ganhando uma família de brasileiros por aqui e hoje me sinto em casa.

Por um mês morando em no Joey’s Hostel eu tive a oportunidade de conhecer gente de vários lugares do mundo. Dividi o quarto com gurias do Egito, Marrocos, Itália, Alemanha e China. Todas MUITO queridas mas o fato de o inglês não estar 100% no início, me fez ficar receosa de me enturmar com elas. Sem contar que eu era a única que trabalhava todos os dias da semana, então enquanto todas faziam trips maravilhosas, eu tinha que ficar em Delhi trabalhando feito escrava sábados e domingos.

Pessoal que fiz amizade no Joey's
Pessoal que fiz amizade no Joey’s

Quando me mudei para uma PG para morar junto da minha colega russa, criamos uma afinidade incrível! Foi ótimo ter alguém pra contar e conviver diáriamente. Dividiamos o quarto, dormiamos na mesma cama e cozinhávamos juntas. Mas assim que comecei a me desmotivar com o trabalho só queria encontrar uma maneira de ir embora de lá. A verdade é que antes de vir para cá, cheguei a entrar contato com a Amanda e o Felipe que são lá do sul também. Viemos na mesma época mas a diferença era que eles iriam trabalhar juntos em Noida(cidade a 24km de Delhi) e eu sozinha no fim do mundo. Chegamos a marcar um chimas no India Gate no dia da Independência da Índia pra nos conhecermos e turistar um pouco. Foi ótimo! Mas o fato de eles morarem longe realmente não havia como nos vermos com frequência…

Tânia, minha roommie russa // Felipe dando uma olhada no meu chimas (Amanda tirou a foto)
Tânia, minha roommie russa // Felipe dando uma olhada no meu chimas (Amanda tirou a foto)

Foi quando tive a brilhante ideia de procurar um grupo de brasileiros na Índia para tirar algumas dúvidas e também conhecer gente nova por aqui. O primeiro grupo que achei de cara já descobri que havia uma festa chamada Brasil Mestiço  que tinha acontecido na semana anterior. P-I-R-E-I!!!! Nunca imaginei tantos brasileiros na Índia juntos fazendo festa com axé, pagode, mpb e funk na playlist! Chamei a Luana, idealizadora do evento, no chat do facebook e na hora ela já me adicionou no grupo do What’s App onde tem mais de 70 participantes brasileiros. Que alegria!

Antes de vir pro intercâmbio todos falam para fugirmos de brasileiros para poder aproveitar o máximo para conhecer outras culturas e desenvolver melhor o inglês. Cara, o problema é que esse conselho na Índia não dá certo. Isso daqui é o extremo que vivemos no Brasil. Ter o apoio, suporte e amizade com brasileiros foi a melhor coisa que me aconteceu. Hoje eu me sinto em casa mesmo estando há dois oceanos de distância. Fazemos churrasco, coxinha, festa com batucada e caipirinha! Sem contar que toda quarta-feira vamos no “culto” (Moonshine) dançar funk em cima do palco, onde ganhamos free drinks e snack a noite toda na faixa. O grupo no Whats além de me manter rindo o dia inteiro, também ajuda com dicas de lugares para viajar por aqui, o que comprar, o que não comer e o que fazer por Delhi. Se hoje estou feliz por aqui é graças aos brasileiros!

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Pedi demissão do meu estágio na Índia!

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Hoje completa exatamente 2 meses que cheguei por aqui. Parece que foi ontem que desembarquei em Delhi totalmente perdida diante de um choque cultural absurdo. Incrível como o tempo passa rápido sem ao menos percebemos não é? Como meu tempo esta bem dificil de administrar, resolvi fazer esse post pra resumir os últimos acontecimentos da minha vida aqui. Vamos começar pelo fato mais recente: PEDI DEMISSÃO DO MEU ESTÁGIO NA ÍNDIA. O que???? Djulie, como assim?!  Sim! Estava trabalhando como designer gráfico em uma escola de fotografia em Old Delhi. Pra vocês terem uma noção, essa é uma das piores zonas aqui. Sujeira e pobreza definem. No início estava muito empolgada por ser uma escola de fotografia e até querendo me inteirar e participar dos cursos. Mas o encanto acabou um mês depois, a partir momento que comecei a me sentir desmotivada e estressada ao acordar todos os dias para ir trabalhar. Vamos a lista de fatores para tal:

  1. A jornada de trabalho começava as 10h da manhã e terminava às 19h da noite. Nove longas horas de quase nada pra fazer.
  2. O intervalo para o almoço era de 30 minutos, o que me impossibilitava comer fora.
  3. Apesar de não ter deixado isso claro na minha vaga no portal da AIESEC, fui informada que trabalharia sábados e domingos, tendo day-off apenas nas segundas-feiras. Isso já me deixou indignada pois quase nunca poderia viajar.
  4. Tinha a impressão de que todas minhas colegas indianas falavam mal de mim e riam do meu estilo toda hora.
  5. Meu chefe indiano não sabia explicar exatamente o que queria nas artes. Me fez criar 30 modelos de crachás até gostar de um (isso pra um designer é o cúmulo da irritação). Tudo recebia críticas (sem cabimento algum) e acabava criando materiais que de jeito algum colocarei no meu portfólio.
  6. A sócia da empresa mal olhava na minha cara e se quer conseguia me passar trabalho, pedia para os outros fazerem. Foi quando ela solicitou a minha troca de lugar na sala e sem querer descobri que foi para ver o que eu estava fazendo pela câmera.
  7. Fiquei doente por praticamente uma semana. Febre, dor no corpo por conta da famosa Delhi Belly. Não fui trabalhar alguns dias e no dia que fui fiquei apenas um turno passando muito mal, a sócia teve a pachorra de me dizer que deveria ligar para o meu chefe e pedir permissão para ir embora.
  8. A gota d’água foi trocarem a senha do Wi-fi com o discurso de que eu, a designer, não precisava de internet para trabalhar. Sem contar outras regras como não mexer no celular, não ter direito a feriados que são religiosos para os indianos e não poder ficar na recepção trabalhando com a outra estagiária da Rússia, que no caso era minha roommate.
  9. Foi então que percebi, todos os problemas e implicância aconteciam apenas comigo. Finalmente entendi o que estava acontecendo: fui vítima de racismo na empresa que estava estagiando na India.
Na segunda semana de trabalho, quando eu ainda estava feliz trabalhando na escola
Na segunda semana de trabalho, quando eu ainda estava feliz trabalhando na escola

Realmente aquele não era o trabalho que eu criei tanta expectativa na minha vinda para cá. Chorei vários dias,inclusive em pleno ambiente de trabalho.  Pensei em desistir, voltar pro Brasil e esquecer o sonho do intercâmbio. Estava desmotivada, infeliz e arrependida da escolha que fiz. O investimento para vir foi de 10 mil reais, eu não podia desistir assim e correr para casa. Mas meu santo é forte e minha sorte está sempre a meu favor. Menos de uma semana consegui outro estágio. Como? Espera pra ver…

Pesquisando no facebook algum grupo de brasileiros em Delhi, acabei conhecendo a Luana que organiza festas com o tema Brasil por aqui. Nossa, fiquei muito empolgada, até o momento só tinha conhecido duas brasileiras e elas estavam fazendo o intercambio social, ou seja, iam embora em algumas semanas. Ela me adicionou no grupo que eles tinham no what’s app e na mesma semana que estava chorando na empresa, uma das gurias do grupo falou que estavam produrando por designer gráfico para estágio Aiesec. Foi aí que minha vida mudou. Minha anja Luciana (e hoje minha chefa) conversou comigo e conseguiu (depois de muitos emails, telefonemas e barracos com a AIESEC) que eu trocasse de trabalho!

Meu novo estágio é na cidade de Gurgaon, 30 minutos de Delhi. A empresa paga por acomodação que fica 5 minutos (a pé) do escritório. Entreguei minha carta de demissão no outro trabalho sem olhar pra trás. A única coisa que me deixou triste de me mudar foi deixar minha roommate russa, e até então única amiga, Tânia sozinha na escola. Arrumei minhas malas, chamei o Uber e ontem me mudei pra Gurgaon. Estou encantada com essa cidade!! Ela é considerada o vale do silício da Índia, todas as maiores empresas internacionais tem escritório aqui. Ao chegar em Cybercity pensei não estar mais na bagunça que é a Índia. Prédios modernos, arranhacéus, condomínios lindos, totalmente diferente da onde vivia em Old Delhi. O condomínio que moro tem piscina, academia, salão de festas, play ground e até um mercadinho! O ap tem 4 quartos e vou dividir ele com mais duas gurias, mas a melhor parte é que no meu quarto tenho meu próprio banheiro (antes eu dividia a mesma cama com a russa e o banheiro era dividido por mais 4 indianas). QUE REVIRAVOLTA NÃO É MESMO???

 

Projeto DLF Cyber City - a Cingapura indiana
Projeto DLF Cyber City – a Cingapura indiana

 

Fontes & Imagens:

 DLF Cyber City

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É hora de dizer tchau: bye Brazil!

despedida da djulie no aeroporto djulie india

O grande dia chegou com um temporal que me tirou o sono na madrugada. Acordei assustada e aquele medo bateu bem forte. Mas agora não pensa que sou dessas que desiste quando vem a tempestade, claro que não! Vamos terminar de guardar as coisas e seguir o rumo. Tomei um bom café da manhã, fiquei curtindo a Valentina e a Clawdeen na cama por mais um tempo e fui me arrumar! Afinal tinha que estar no aeroporto 3h antes do voo no mínimo pra dar tudo certo.

Pra chegar em Nova Deli vou ter que fazer duas escalas, uma no Rio de Janeiro e outra em Dubai (SIM <3). Meu voo de Porto Alegre saiu as 18h47 e no momento me encontro no Rio fazendo essa postagem. Fiquei MUITO, mas MUITO feliz que minha família foi se despedir de mim e minhas melhores amigas também. Mais um dia radiante na minha lista.

 

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Hey, mas o que é Aiesec?

aiesecers

Hoje venho fazer um post pra vocês sobre a AIESEC. Association Internationale des Etudiants en Sciences Economiques et Commerciales é uma plataforma internacional que possibilita o desenvolvimento pessoal e profissional de jovens estudantes através de programas de trabalho em equipe, liderança e intercâmbio. Presente em 126 países e territórios, com mais de 70.000 membros e 8000 organizações parceiras, a AIESEC é a maior organização mundial de estudantes. Sua sede está localizada em Rotterdam, Países Baixos. são eles:

 

Cidadão Global (Intercâmbio Social)

Jovens Líderes (Liderança)

Talentos Globais (Estágios Internacionais)

Jovens Talentos (Experiências de Time)

Host (Hospedar um intercambista)

AIESEC pelo mundo

CURIOSIDADES:

  • A AIESEC é reconhecida pela UNESCO como maior organização gerida somente por estudantes e recém formados.
  • Fundada em 1948
  • Intercâmbios: 20 mil experiências de estágio por ano.
  • Prêmios:Reconhecida como a  empresas mais democrática para se trabalhar (2013)
  • Famosos: Kofi Annan, Bill Clinton e o atual presidente de Portugal  figuram entres os famosos que já foram Aiesecers.
  • Parcerias no Brasil: Google, Volkswagen, Vale, Danone, Coca- Cola entre muitos outros
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Vem mais transição por aí…

despedida dju

Já faz algum tempo que tenho sonhado em fazer um intercâmbio. Depois que me formasse o plano era fazer viajar pelo mês de Maio/16 para poder dar tempo de me organizar e começar a pagar tudo. Porém veio a crise pra acabar com minha felicidade. Dólar auto, euro alto e a libra então nem se fala. Meu objetivo sempre foi viajar para Londres, pelo fato de ser encantada pela cidade e também pela cultura deles. Mas pensei em possibilidades de ir pra Dublin, Austrália e até Canadá, pois eram os lugares aonde poderia trabalhar mesmo tendo o visto de estudante. Foram longos meses pesquisando. Blogs e mais blogs com dicas, vídeos de quem já fez intercâmbio e contato com várias agências de viagens fazendo cotação. Realmente, intercâmbio em época de crise é MUITO caro. Fiquei um pouco triste quando fui em uma reunião com minha mãe numa agência e ela me disse que não tinha como me ajudar pois o custo de vida fora é muito alto.

Comecei então a pesquisar bolsas de estudo pra qualquer lugar do mundo aonde eu pudesse falar inglês e fazer uma pós-graduação ou mestrado. O meu único empecilho foi o de ter uma nota do IELTS ou TOEFL, prova de proficiência na língua aonde deseja estudar ou morar. (em uma outra postagem explico mais detalhadamente o que é) Lá fui eu (e a Valentina) pra SP fazer a prova do IELTS, aproveitamos pra visitar nossa tia Letícia que mora lá já faz um tempo. Confesso que não me preparei muito para a prova, deveria ter me empenhado mais, minha nota foi 5, para entrar no mestrado eles exigem 6,5…

Fiquei muito decepcionada comigo mesma, afinal o preço para realizar a prova não é nada barato (R$700), fora as passagens né. Mas nunca que isso seria um empecilho para mim. Continuei pesquisando mais bolsas que aceitassem o meu 5 na nota do IELTS, comecei a fazer minha carta de intenções e solicitar pros meus professores as cartas de recomendaçāo que as faculdades exigem para tu poder ser aceita. A Tássia (minha melhor amiga e por tabela professora de inglês) estava me ajudando com a criação e tradução das cartas.

Foi então que a AIESEC surgiu no meu feed de notícias como uma publicação patrocinada (ironia número 1: aprendi sobre esse tipo de ad no facebook essa semana na pós). No caso o anúncio falava sobre o programa Talentos Globais, intercâmbio para trabalhar fora em Start ups na área de Marketing. Apenas que P-I-R-E-I!! Os pré-requisitos eram: ser recém formado ou estar estudando na área; ter experiência de no mínimo 6 meses; e inglês intermediário/avançado. Óbvio que já cliquei no botão cadastrar. Assim que entrei no site, reparei que já havia ouvido falar nessa ONG, aí que vem a ironia número 2, pois quando ia na psicóloga no final de 2014, havia comentado com ela meu sonho de viajar e fazer intercâmbio depois de me formar, e ela me indicou a AIESEC!

AIESEC-talentos-globais

Em duas semanas eles entraram em contato comigo me informando que meu cadastro havia sido aprovado por eles e que precisaríamos marcar uma entrevista por Skype, pois a unidade da AIESEC que está me atendendo é a de Santa Maria. Fiz a entrevista semana passada com o Matheus e a Bianca, muito queridos! Me perguntaram sobre como sou, onde estudei, se já fiz trabalho voluntário e como gostaria de ser no futuro… Tudo isso no máximo uns 30 minutos. Depois que finalizamos eles criaram meu login na plataforma de vagas deles. Parece um Linked In, porém totalmente voltado para as vagas do Talentos Globais ou do Cidadão Global. (vou criar um post falando só sobre  a AIESEC ok? Assim explico detalhadamente o que eles fazem)

 

No momento estou me cadastrando pra várias oportunidades abertas para trabalhar na area de Marketing/Design pelo mundo inteiro. Confesso que estou MUITO empolgada com a possibilidade de alguns meses estar trabalhando fora do país. Vamos torcer os dedos e colocar pensamento positivo! Me desejem sorte ♥

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