Retrospectiva 2016

Último dia do ano, chegou a hora do balanço. Não gosto muito de correntes no facebook, mas achei essa bem interessante e adaptei ao meu estilo.Então vamos a retrospectiva das 16 coisas que aconteceram comigo em 2016:

01. comecei o ano na beira da praia da Barra com minha família;
02. iniciei meu MBA em mais uma etapa acadêmica da minha vida;
03. fui no show do Maroon 5 e ver o Adam sem camisa abaixo de chuva foi sensacional;
04. viajei pela primeira vez pra SP com a Valen, nos divertimos horrores e gastamos na 25 de Março!
05. após meses insatisfeita com meu cabelo, entrei na transição capilar e aderi as Box Braids mudando totalmente meu estilo;
06. aumentei minha auto estima em 100% virando compulsiva por maquiagens e batons coloridos;
07. viajei pra Cambará do Sul (duas vezes) e lá tomei a maior decisão da minha vida;
08. fui convidada para participar de projetos incríveis sobre empoderamento negro e me despi contra o preconceito;
09. fiz mais duas tatuagens, totalizando 6;
10. comemorei meu aniversário me despedindo das pessoas que mais amo no mundo;
11. aceitei o desafio de morar na Índia por 1 ano pelo programa Talentos Globais da AIESEC;
12. depois de um mês odiando viver em Delhi, me mudei, troquei de emprego e abri as portas pra felicidade;
13. construi grandes amizades, amigos os quais posso chamar de família mesmo estando longe de casa;
14. me apaixonei por um angolano gente fina, que ganhou meu coração em menos de três semanas;
15. mergulhei no rio Ganges, viajei para o Nepal, conheci templos e lugares que nunca imaginei na vida;
16. aprendi a valorizar minha família, meus amigos e aqueles que sempre posso contar. A Índia foi a maior lição que a vida me trouxe, depois dessa experiência nada mais será o mesmo.

Que 2017 venha repleto de novos desafios, descobertas e muito aprendizado!! Happy New Year for all 🍸🙏🏾❤️

 

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Meu primeiro Natal longe da família

Sabe, não foi fácil passar o primeiro natal longe da família. Minha sorte é que nesses 5 meses de Índia, eu ganhei uma família de amigos incríveis, que fizeram a minha noite de Natal mais divertida do que nunca!

Passamos a semana inteira planejando um jantar de Natal para todos brasileiros e agregados, claro. Deu trabalho cozinhar pra mais de 50, mas valeu MUITO a pena fazer parte dessa noite memorável. Não teve peru mas teve porco, muita farofa e vinagrete nem se fala. Pensava que não ia ter comida suficiente para todos, acabamos exagerando e sobrou horrores, pessoal fez marmita pra semana toda.

A virada foi de fato um pouco triste pra mim, porque desde que me conheço por gente, estive ao lado da minha família nesta data tradicional. Todos esses meses que estou aqui, aprendi que essa é a pior parte de morar fora. Perder aniversários, dia das mães, pais e agora Natal e Ano novo. A vontade é de se tele transportar e passar apenas aquele dia com quem amamos e voltar num piscar de olhos pra cá. Infelizmente isso não é possível, eu sei.

Acabei ligando para meus pais apenas quando era meia noite no Brasil e aqui já estava amanhecendo. Acabei acordando cedo porque o papai noel me deu de presente uma viagem pro Nepal. S-I-M!! Meu vôo é as 11h e já estou no aeroporto para embarcar. No próximo post conto tudo de mais essa aventura para minha conta.

papai e mamãe noel 🎅🏼🎄❤️

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E para finalizar quero desejar um Feliz Natal repleto de amor, união, alegrias e prosperidade a todas famílias lindas que conheço ai no Brasil!

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Comecei a namorar na Índia

namorando um angolano

Mas Djulie como assim tu já está namorando na Índia? S-I-M! E foi tipo aquelas histórias de filme meloso que a gente assiste quando está na TPM sabe? Mas deixa eu explicar direitinho o enredo de como comecei a namorar na Índia.

Dias antes de eu me mudar pra Gurgaon, fui na festa de uns amigos africanos (lembra que falei ter ficado muito próxima deles) com a Tânia. Foi aí que comecei a conversar com o Tino, a gente na verdade já se conhecia das festas mas nunca chegou a ter uma conversa além do “oi tudo bom”. Papo vai e papo vem, percebemos que tínhamos muitas coisas em comum e eu como sou o tipo de pessoa que se atrai por homens com um papo cabeça, pronto, ficamos! Mas não imaginávamos que seria tão intenso, acabamos passando o final de semana juntos e os próximos também. Tudo foi acontecendo tão rápido e quando vimos estávamos muito envolvidos. Foi então que na terceira semana juntos ele me pediu em namoro. Na hora eu achei que ele estava brincando, mas não, repetiu várias vezes que ele nunca tinha falado tão sério em toda vida dele. Eu, cânceriana melosa com vênus em câncer me derreti toda e óbviamente aceitei!

sosseguei 🇧🇷💕🇦🇴

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Eu só esqueci de contar que ele não é indiano né! O Tino veio da Angola estudar aqui na Índia e sim ele também fala português (com aquele sotaque de Portugal delícia), o que de certa forma facilita muito na comunicação, apesar de que temos gírias e dialetos totalmente diferentes.

Brincadeiras a parte hoje já fazem dois meses que estamos juntos e nem imaginamos como tudo isso aconteceu tão rápido. Uma vez me disseram que o amor vem para os despercebidos, quando menos esperamos estávamos apaixonados e simplesmente não conseguimos ficar longe um do outro.

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Happy Diwali!

happy-diwali

Tem muita gente me perguntando o que é o tal Diwali que vem aparecendo aqui no facebook, então vamos a explicação. Assim como para os cristão o Natal é uma data comemorativa importante, o Diwali tem a mesma relevância para o hinduísmo, o shikismo, o budismo e o jainismo. As luzes, lâmpadas e velas significam a vitória do bem sobre o mal dentro de cada ser humano. A cidade está toda iluminada, as crianças brincam felizes pelas ruas e todos soltam folgos e foguetes à noite durante as cinco noites de festa. As casas são pintadas com antecendência, as ruas e os templos são enfeitados, pois eles acreditam que a deusa Lakshimi, deusa da riqueza e da prosperidade visita e abençoa os lugares e as casas iluminadas. Realmente o significado desse festival é de muita importância aqui na Índia. Confesso que gostaria muito de estar perto da minha família comemorando esse dia especial por aqui.

Diwali-in-India

Como estou  quatro dias de feriadão, fiquei em Delhi com o Tino (eu acho que ainda não contei que estou namorando né? Deixa essa história para uma próxima postagem). A cidade está cheia de luzinhas e muitos fogos o dia todo. Aproveitamos para descansar e fazer um jantar gostoso com os amigos mais próximos dele. Foi uma noite especial e espero poder celebrar mais momentos assim ao lado dele.

Então a todas as famílias e amigos desejo um HAPPY DIWALI!!!

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O melhor do Brasil é o brasileiro

brasileiros na india

Apesar do título, essa postagem é sobre família. Não propriamente mãe, pai, irmãos e o baile todo, mas sim sobre aquela família de amigos que ganhamos ao morar fora. Meus primeiros dois meses aqui foram terríveis, mas a partir do momento que conheci brasileiros morando em Delhi minha vida mudou. A verdade é que o melhor do Brasil é o brasileiro não é mesmo? Nossa energia e capacidade de entrosamento é absurda! Acabei ganhando uma família de brasileiros por aqui e hoje me sinto em casa.

Por um mês morando em no Joey’s Hostel eu tive a oportunidade de conhecer gente de vários lugares do mundo. Dividi o quarto com gurias do Egito, Marrocos, Itália, Alemanha e China. Todas MUITO queridas mas o fato de o inglês não estar 100% no início, me fez ficar receosa de me enturmar com elas. Sem contar que eu era a única que trabalhava todos os dias da semana, então enquanto todas faziam trips maravilhosas, eu tinha que ficar em Delhi trabalhando feito escrava sábados e domingos.

Pessoal que fiz amizade no Joey's
Pessoal que fiz amizade no Joey’s

Quando me mudei para uma PG para morar junto da minha colega russa, criamos uma afinidade incrível! Foi ótimo ter alguém pra contar e conviver diáriamente. Dividiamos o quarto, dormiamos na mesma cama e cozinhávamos juntas. Mas assim que comecei a me desmotivar com o trabalho só queria encontrar uma maneira de ir embora de lá. A verdade é que antes de vir para cá, cheguei a entrar contato com a Amanda e o Felipe que são lá do sul também. Viemos na mesma época mas a diferença era que eles iriam trabalhar juntos em Noida(cidade a 24km de Delhi) e eu sozinha no fim do mundo. Chegamos a marcar um chimas no India Gate no dia da Independência da Índia pra nos conhecermos e turistar um pouco. Foi ótimo! Mas o fato de eles morarem longe realmente não havia como nos vermos com frequência…

Tânia, minha roommie russa // Felipe dando uma olhada no meu chimas (Amanda tirou a foto)
Tânia, minha roommie russa // Felipe dando uma olhada no meu chimas (Amanda tirou a foto)

Foi quando tive a brilhante ideia de procurar um grupo de brasileiros na Índia para tirar algumas dúvidas e também conhecer gente nova por aqui. O primeiro grupo que achei de cara já descobri que havia uma festa chamada Brasil Mestiço  que tinha acontecido na semana anterior. P-I-R-E-I!!!! Nunca imaginei tantos brasileiros na Índia juntos fazendo festa com axé, pagode, mpb e funk na playlist! Chamei a Luana, idealizadora do evento, no chat do facebook e na hora ela já me adicionou no grupo do What’s App onde tem mais de 70 participantes brasileiros. Que alegria!

Antes de vir pro intercâmbio todos falam para fugirmos de brasileiros para poder aproveitar o máximo para conhecer outras culturas e desenvolver melhor o inglês. Cara, o problema é que esse conselho na Índia não dá certo. Isso daqui é o extremo que vivemos no Brasil. Ter o apoio, suporte e amizade com brasileiros foi a melhor coisa que me aconteceu. Hoje eu me sinto em casa mesmo estando há dois oceanos de distância. Fazemos churrasco, coxinha, festa com batucada e caipirinha! Sem contar que toda quarta-feira vamos no “culto” (Moonshine) dançar funk em cima do palco, onde ganhamos free drinks e snack a noite toda na faixa. O grupo no Whats além de me manter rindo o dia inteiro, também ajuda com dicas de lugares para viajar por aqui, o que comprar, o que não comer e o que fazer por Delhi. Se hoje estou feliz por aqui é graças aos brasileiros!

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Sobre ser negra na Índia

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Primeiramente: a India não é fácil. Eu cheguei aqui vai fazer quase dois meses e todo dia tenho algo novo a enfrentar. Já deve ter ouvido falar como este país é machista e não vou te mentir, é sim. Ser mulher já não é fácil, ser negra na India é pior ainda. A verdade é que ser mulher estrangeira aqui pra eles é uma “oportunidade” de ter algo mais fácil e sem compromisso. Para muitos a cultura dos dotes, castas e casamento arranjado existe sim, em cidades menores principalmente. Mas Delhi é uma metrópole. A primeira coisa que tu vai perceber ao chegar em aqui é que a cidade é gigante e desenvolvida. E como em qualquer metrópole  é lotada de pessoas sem paciência e com pressa. Não sei de que cidade tu és, mas imagina uma São Paulo mais suja e com mais gente em todos os cantos. O choque cultural é real, vai ver desde o luxo repleto de ouro dos templos, até a miséria e pobreza dos que dormem e vivem na rua.

 

Nos teus primeiros dias vai perceber o quanto te olham. De início pensei que aos poucos iam parar, mas não, é SEMPRE! Mas sabe o que é mais louco? Eu sentir que sofro mais preconceito por ser negra aqui do que no Brasil. Primeiramente pensei que recebia olhares diariamente de homens, mulheres e crianças mais por causa do meu cabelo e meus traços, do que minha cor. Muitos são curiosos, me olham fixamente querendo entender meu cabelo, mas tem aqueles tarados como de costume,  outros olhares vem junto de cochichos no ouvido e risadinhas contidas. E tem aqueles que me param, perguntam da onde sou, elogiam meu cabelo e pedem pra tirar selfie. Louco né, mas acontece com frequência. De fato é muito desconfortável e pra mim irritante. Mas a paciência é a principal virtude que irás praticar por aqui.

 

djulie na india

 

 O engraçado é que tem indianos mais escuros que eu e se for parar pra comprar o tom de pele eles poderiam muito bem ser negros, mas esse cabelo preto liso escorrido não tem como negar da onde são. Nos primeiros dias me senti mal, porque os olhares deles julgam muito e em massa dentro de um vagão no trem é como se recebesse um soco no estômago. Parece que por ser diferente e não seguir o padrão deles estou errada, não sou bem-vinda, me entende? Mas foi aí que conheci vários africanos que moram aqui há anos e por causa deles entendi melhor o que acontece. Existe muito racismo aqui com negros, mas a mídia abafa tudo, assim como as histórias de estupro em cidades menores. Um dos africanos que é modelo me contou que muitos indianos  não gostam de negros acham negros são traficantes e as negras todas são prostitutas. Daí eu parei pra pensar que talvez os olhares possam ter uma influência desse pensamento ABSURDO. Realmente não é fácil viver aqui, mas tudo tu se acostuma.

 

Mas nos últimos meses eu liguei o foda-se pra opinião dos outros, pras críticas e pro “padrão” que sempre nos obrigaram seguir. Desculpa monamour, não é a Índia que vai mudar isso em mim. Hoje quase dois meses vivendo aqui desfilo, me acho polêmica e dou até tchauzinho pras crianças. Aos poucos eu estou aprendendo a amar os desafios que este país tem me proporcionado. Mas calma lá que tem mais 345 dias de “Incredible India” pra negrinha vivenciar! Sobre ser negra na India: não é fácil como em qualquer lugar do mundo.

assinatura-djulie ferreira negratittude

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